quarta-feira, 22 de junho de 2011

SISTEMA AERÓBIO E ANAERÓBIO: TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA




Quando grandes quantidades de energia são liberadas durante o exercício, a energia utilizada para o calor é bastante para aumentar a temperatura corporal. A energia adquirida através dos alimentos precisa ser transformada em um composto chamado trifosfato de adenosina (ATP) antes que possa ser aproveitada pelo organismo. 
Diferentes atividades físicas, dependendo da duração e da intensidade, ativam sistemas específicos de transferência de energia. Existem três sistemas de transferência de energia (Mcardle et al, 2003).

1.      SISTEMA ATP-CP (do fosfagênio) ou Anaeróbio Alático

Esse sistema representa a fonte de energia disponível mais rápida do ATP para ser usado pelo músculo, porque esse processo de geração de energia requer poucas reações químicas, não requer oxigênio e o ATP e o PC estão armazenados e disponíveis no músculo. As reservas de fosfagênio nos músculos ativos são esgotadas provavelmente após 10 segundos de exercício extenuante, como EX.: uma série de 10 repetições com carga de 70% a 90% da força máxima em qualquer aparelho de musculação.

2.      GLICÓLISE ANAERÓBIA OU SISTEMA ANAERÓBIO LÁTICO

À medida que o exercício explosivo progride para 60 segundos de duração e que ocorre uma ligeira redução no rendimento de potência, a maior parte da energia ainda terá origem nas vias metabólicas. Entretanto, essas reações metabólicas envolvem também o sistema de energia em curto prazo da glicólise, com o subseqüente acúmulo de lactato. (Mcardle et al, 2003).
Esse sistema metabólico gera o ATP para necessidades energéticas intermediárias, tendo como exemplo atividades tipo: pique 200-400 m, natação de 100 m. O denominador comum dessas atividades é a sustentação de esforço de alta intensidade e não ultrapassam os dois minutos.
O sistema de ácido lático, ou glicose anaeróbia, não requer oxigênio; gera como subproduto o ácido lático, que causa fadiga muscular; usa somente carboidratos; e libera aproximadamente duas vezes mais ATP do que o sistema fosfagênio (Manual do profissional de fitness Aquático, AEA, Shape, 2001).

3.      SISTEMA AERÓBIO OU OXIDATIVO

À medida que a intensidade do exercício diminui e a duração é prolongada para 2 a 4 minutos, a dependência da energia proeminente dos fosfagênios intramusculares e da glicólise anaeróbica diminui e a produção aeróbia de ATP torna-se cada vez mais importante. (Mcardle et al, 2003).
Exemplos de exercícios que utilizam o sistema aeróbio podem incluir: hidroginástica de 40-60 minutos, corridas longas de 5000 m, natação mais que 1500 m, ciclismo acima de 10 km e triathlon.

CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS DE ENERGIA (AFAA, 1995)

Característica
ATP - CP
Ácido Lático
Aeróbico
Combustível utilizado
Fosfato de alta energia
carboidratos
carboidratos, gorduras e proteínas
Localização
Sarcoplasma
Sarcoplasma
Mitocôndria
Fadiga devido à...
depleção de fosfato
acúmulo de lactato
depleção de glicogênio
Capacidade:
Homem
Mulher
muito limitada
8 - 10 Kcal
5 - 7 Kcal
limitada
12 - 15 Kcal
8 - 10 Kcal
sem limite
>90.000 Kcal
>115.000Kcal
Força: 

Homem
Mulher
muito alta 

36-40 Kca/min
26-30Kcal/min
alto/ moderada
16-20 Kcal/min
12-15 Kcal/min
moderada/baixa
12-15Kcal/min
9-12 Kcal/min
Intensidade:
% máximo
muito alta
> 95% F.C.M.
alta/moderada
85%-95 F.C.M.
moderada /baixa
<85% F.C.M.
Tempo para fadiga
muito curto: 
de 1- 15 seg.
curto/médio: 
de 45 - 90 seg
médio/longo :
de 3-5 min.
Atividades:

corrida
natação
ciclismo
remo


<100 m
< 25 m
<175 m
< 50 m
400-800 m
100-200 m
750-1500 m
250-500 m
>1500 m 
> 400 m
 
>3000 m
 
>1000 m


FIBRAS MUSCULARES E SUAS RELAÇÕES COM O SISTEMA AERÓBIO E ANAERÓBIO

Existem dois tipos distintos de fibras musculares nos seres humanos. Uma fibra de contração rápida, ou tipo II, possui duas subdivisões primárias, tipo IIa e tipo IIb, cada cada uma delas possuindo uma alta velocidade de contração e uma alta capacidade para a produção anaeróbia de ATP na glicólise. A fibra tipo IIa possui também uma capacidade aeróbia ligeiramente mais alta. As fibras tipo II tornam-se ativas durante as atividades com mudança de ritmo e com paradas e arranques, como basquete, futebol e hóquei sobre o gelo.
O segundo tipo de fibra, a fibra muscular de contração lenta, ou tipo I, gera energia principalmente através das vias aeróbias. Esta fibra possui uma velocidade de contração relativamente lenta em comparação com sua congênere de contração rápida. Sua capacidade de geração aeróbia de ATP está intimamente relacionada às numerosas grande mitocôndrias e altos níveis das enzimas necessárias para o metabolismo aeróbio, particularmente o catabolismo dos ácidos graxos (Mcardle et al, 2003).

BARREIRA NA POTÊNCIA AERÓBIA

Acredita-se que, nas provas atléticas em que a potência aeróbia predomina, o principal fator limitante seja o potencial oxidante muscular e o conteúdo mitocondrial (Souza Jr., Pereira, 2005 apud Gollnick et al., 1985). Estudos demonstraram que a atividade da enzima succinato desidrogenase elava-se até a oitava semana de treinamento com exercício prolongado, com carga mantida constante, mas se estabiliza posteriormente. Esse resultado é redução progressiva na supercompensação de substratos gastos em razão dos processos de ajustes decorrentes do treinamento físico orientado pelos princípios da especialização e sobrecarga.
  
BARREIRA NA POTÊNCIA ANAERÓBIA

A barreira de velocidade pode ocorrer quando no processo de treinamento dessa capacidade física nenhuma exigência nova e maior é possível de ser imposta ao organismo do corredor de velocidade. Obtém-se, nesse caso, estabilização da velocidade de movimentos em provas atléticas dependentes da capacidade anaeróbica (Souza Jr., Pereira, 2005). Zatsiorsky (1995) chama atenção nesse caso para “Lei de Acomodação” como fator responsável pelo surgimento desse problema, afirmando que essa é uma lei geral da Biologia e, portanto, aplicável a todos seres vivos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Cooperativa do Fitness. Nutrição - Produção de energia (como conseguimos a energia para exercitarmos). Disponível em: < http://www.cdof.com.br/nutri2.htm >. Acesso em: 18 mar 2011

FLECK, S. J; KRAEMER, W. J. Fundamento do treinamento de força muscular. 3 ed, Artmed, 2006.

GUEDES, D. P. Saiba tudo sobre musculação. Rio de Janeiro: Editora Shape. 2006

MCARDLE, W. D; KATCH, F. LKATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 5 Ed. Guanabara koogan. 2003.

PEREIRA, B; SOUZA JUNIOR, T. P. Compreendendo a barreira do treinamento físico: aspectos metabólicos e fisiológicos. Ed. Phorte. 2005.

TEIXEIRA, C. V. L; GUEDES JUNIOR, D. P. Musculação perguntas e respostas: as 50 dúvidas mais freqüentes nas academias. Phorte editora, 2010.

Vianna, J. M. Fisiologia do Exercício - Sistemas Energéticos. Disponível em <http://www.saudeemmovimento.com.br/>. Acesso em: 18 mar 2011.

Zatsiorsky, V. M. Science and Practice of Strength Training. Human Kinetics. 1995.






Profº Carlos André Barros de Souza
CREF 081728-G/SP
Professor de Educação Física (FEFIS)
Graduando em Fisioterapia (UNILUS)
Email: c.andrefisio@yahoo.com.br

3 comentários:

Anônimo disse...

Gostei, postem mais materias com conteudos relacionados.

Anônimo disse...

adorei, o texto me ajudou a esclarecer algumas duvidas.

Anônimo disse...

muito bom, explicação rápida e objetivo em um vocabulário fácil de entender.

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